Amor à primeira vista

Sempre acreditei em amor à primeira vista. Mas sempre tive dúvidas com relação à se é Amor ou Paixão à primeira vista.

Primeiro vamos diferenciar um e outro (veja bem, essa é minha visão sobre o assunto):

  • Paixão: forte emoção causada por atração física, afinidades intelectuais, admiração, causando sensações como desejo, tesão, sentimento de posse, ciúme, saudade, “frio na barriga”, tremor, entre outros; pode durar pouco ou muito tempo, depende do relacionamento; pode ou não virar amor, bem como pode virar ódio.
  • Amor: nasce de uma admiração e afinidade mútua, onde se reconhece no outro tudo o que se busca em um(a) companheiro(a); pode nascer de uma paixão ou de uma amizade; dizem que vem com o tempo, traz paz e serenidade a quem sente e a quem recebe; nunca vira ódio, mas pode virar amizade quando acaba.
  • Alma-gêmea: seria o Amor verdadeiro, aquele que dura pra sempre e que nos ajuda a evoluir espiritualmente.

Dessa forma, acredito que ambos podem acontecer à primeira vista, tudo vai depender da evolução espiritual em que cada um se encontra. Nenhum é ruim, desde que não vire ódio e não cause mal ao outro. Mas acredito que todos deveríamos ter em mente que temos o direito de buscar amor de verdade, nossa alma-gêmea, mesmo entre as paixões passageiras. Mas com certeza, encontrar e reconhecer na hora nossa alma-gêmea é um dos maiores desejos do mundo, da maioria das pessoas pelo menos.

Por que estou refletindo sobre isso? Estou lendo, pela enésima vez, o livro O Alquimista*, do escritor Paulo Coelho, e quando cheguei na passagem abaixo, me emocionei enormemente, e fiquei pensando no assunto:

Finalmente surgiu uma moça que não estava vestida de negro. Trazia um cântaro no ombro, e a cabeça coberta com um véu, mas tinha o rosto descoberto. O rapaz aproximou-se para perguntar sobre o Alquimista.

Então foi como se o tempo parasse, e a Alma do Mundo surgisse com toda a força diante do rapaz. Quando ele olhou seus olhos negros, seus lábios indecisos entre um sorriso e o silêncio, ele entendeu a parte mais importante e mais sábia da Linguagem que o mundo falava, e que todas as pessoas da Terra eram capazes de entender em seus corações. E isto era chamado de Amor, uma coisa mais antiga que os homens e que o próprio deserto, e que no entanto ressurgia sempre com a mesma força onde quer que dois pares de olhos se cruzassem como se cruzaram aqueles dois pares de olhos diante de um poço. Os lábios finalmente resolveram dar um sorriso, e aquilo era um sinal, o sinal que ele esperou sem saber durante tanto tempo em sua vida (…).

Ali estava a pura linguagem do mundo, sem explicações, porque o Universo não precisava de explicações para continuar seu caminho no espaço sem fim. Tudo o que o rapaz entendia naquele momento era que estava diante da mulher de sua vida, e sem nenhuma necessidade de palavras, ela devia saber disso também. Tinha mais certeza disto do que qualquer coisa no mundo, mesmo que seus pais, e os pais de seus pais dissessem que era preciso namorar, noivar, conhecer a pessoa e ter dinheiro antes de se casar. Quem dizia isto talvez jamais tivesse conhecido a linguagem universal, porque quando se mergulha nela, é fácil entender que sempre existe no mundo uma pessoa que espera a outra, seja no meio de um deserto, seja no meio das grandes cidades. E quando essas pessoas se cruzam, e seus olhos se encontram, todo o passado e todo o futuro perde qualquer importância, e só existe aquele momento, e aquela certeza incrível de que todas as coisas debaixo do sol foram escritas pela mesma Mão. A Mão que desperta o Amor, e que fez uma alma gêmea para cada pessoa que trabalha, descansa e busca tesouros debaixo do sol. Porque sem isto não haveria qualquer sentido para os sonhos da raça humana.

É incrível como lemos várias vezes um mesmo livro, mas sempre encontramos novas mensagens, pois sempre o lemos em diferentes etapas de nossa vida, e sempre vamos ter novas percepções a respeito da história. Ultimamente tenho pensado muito em amor verdadeiro, pois acredito que chegou minha hora de o buscar, deixando para trás todas as paixões passageiras. Foram boas, sou grata por todas, mesmo as paixões que me magoaram no passado, pois serviram como experiência e aprendizado, mas agora me livrei de todas as mágoas, rancores e saudades, deixando o caminho aberto para o verdadeiro amor, não importa o tempo que leve para encontrá-lo. Ahhavah! Maktub!

Saudações! Namastê! Shalom!

Sou grata!

*COELHO, Paulo. O Alquimista. Editora Rocco, 1988. pgs. 117-118

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