Por que o tema da redação do ENEM2015 está gerando tanta polêmica?

Passei a manhã me fazendo essa pergunta… não li respostas polêmicas de ninguém. Na verdade não li muita coisa sobre o fato, nem vi memes e bobagens do tipo. Mas refleti muito e decide dar minha visão sobre o assunto “violência contra a mulher“.

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Falar sobre violência contra a humanidade é considerado válido… falar sobre violência contra o idoso é considerado válido… falar sobre violência contra a criança é considerado válido… falar sobre violência contra os animais é considerado válido… falar sobre violência contra a mulher é considerado feminismo! Por quê?

Não sou feminista, mas sou mulher e sei o que sinto. Violência contra a mulher e estupro existem desde que mundo é mundo, e o pior é que têm pessoas que quando ouvem isso ainda falam: sempre foi assim e sempre vai ser. Como se isso fosse “natural”. Juro que não entendo!

Todas nós mulheres temos, no fundo do nosso íntimo, um medo de ser violentada, de alguma forma. Mesmo que não ficamos falando sobre isso o tempo todo, esse medo existe, porque ouvimos histórias e relatos sobre isso desde muito pequenas. O homem só sente medo de ser estuprado em duas situações: quando vai preso, ou quando acorda e percebe que foi dopado em alguma festinha e fica pensando: Meu Deus, será que fizeram “alguma coisa” comigo! Nós temos medo o tempo todo. Eu duvido que algum homem, ao começar a conversar online com uma estranha pense: e se for uma estupradora? Eu duvido que algum homem pense, ao conhecer uma mulher, que talvez ela possa ser violenta, tarada, psicopata, pedófila, etc. Nós pensamos. Podemos não verbalizar isso e até pode ser que nem pensamos conscientemente dessa forma, mas lá no fundo do nosso âmago, no inconsciente, a gente sente uma pontadinha. Talvez as adolescentes não tenham esse filtro quando começam a bater-papo com um desconhecido, mas as mães delas têm (e as avós, tias, irmãs mais velhas, etc).

Quando somos expostas a um possível assalto ou sequestro, nosso medo é sempre maior, porque sempre pensamos que pode acontecer “algo mais”. Morar sozinha gera medo. Viajar sozinha gera medo. Dirigir a noite sozinha gera medo. Correr ou caminhar a noite, mesmo perto de casa, sozinha, nem pensar! Caminhar num parque ou praia sozinha, quando este se encontra deserto, gera muito medo. E assim por diante. Quando conhecemos um homem e começamos a nos relacionar com ele e de repente ele surta com alguma coisa (seja no trânsito, com o chefe, com o vizinho), sempre passa pela nossa cabeça: Puxa, será que ele é violento? Será que ele pode ser violento comigo algum dia? Acho que homens não sentem essas “neuras”, pelo menos não com tanta intensidade.

Aí você leu isso tudo e pensou: é muita neurose. Pois aqui vão alguns números:

Entre 1980 e 2010 foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no Brasil, 43,7 mil somente na última década. Segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, o número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%. Já o Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil revela que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país.

(…)

O crescimento efetivo acontece até o ano de 1996, período que as taxas de homicídio feminino duplicam, passando de 2,3 para 4,6 homicídios para cada 100 mil mulheres. A partir desse ano, e até 2006, as taxas permanecem estabilizadas, com tendência de queda, em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. No primeiro ano de vigência efetiva da lei Maria da Penha, 2007, as taxas experimentam um leve decréscimo, voltando imediatamente a crescer de forma rápida até o ano 2010, último dado atualmente disponível, igualando o máximo patamar já observado no país: o de 1996.

(…)

Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%).

Esses números não são números exagerados e sensacionalistas, divulgados pela imprensa. São estatísticas de órgãos competentes, envolvidos no assunto. Mas pode ser que esses números sejam ainda maiores, porque nem todas as mulheres buscam ajuda, nem todas “divulgam” o que ocorreu, principalmente com relação ao estupro, pois muitas mulheres sentem vergonha de ter sido estuprada, algumas famílias sentem vergonha de ter um caso desses em seu lar e preferem que ninguém fique sabendo! É um absurdo, mas é verídico!

Por isso, vamos deixar as apologias, os rótulos, os pré-conceitos de lado e encarar esse assunto de frente. Todos nós. Esses números precisam ser mudados e isso é papel de todos, homens e mulheres. Nós mulheres temos que parar de achar que isso acontece porque somos fracas e indefesas, porque somos sensuais e fáceis, porque somos sedutoras e libidinosas; homem que anda sem camisa é exibido, mulher com umbigo de fora e micro short é “vagaba, tá pedindo”! Os homens precisam parar de achar que decote e saia curta são sinais para “avançar”; precisam parar de pensar que uma mulher que está dependente financeiramente dele é posse sua; parar com essa bobagem de “mulher só quer meu dinheiro… só conquistei porque estava bem vestido… só saiu comigo porque eu estava de carro” e tantas outras mediocridades que se falam por aí. RESPEITO É BOM E TODO MUNDO GOSTA! E violência é sempre violência.

Precisamos incentivar as mulheres a buscar ajuda se algo está acontecendo. Se soubermos de algo, precisamos denunciar: 180 é o número!

Para quem quer mais detalhes sobre os números citados nesse post, segue aqui o link.

Vamos todos lutar contra todos os tipos de violência e parar de tratar esse assunto como sendo normal. Se hoje não precisamos andar a pé de um lado por outro é porque alguém inventou a roda. Se não precisamos mais usar sinal de fumaça é porque alguém inventou os meios de comunicação. Ou seja, se evoluímos em tantas coisas, porque os instintos mais baixos dos ser humano (principalmente dos homens) ainda são tratados como sendo “natural” e normal? Pense nisso!

Blessed be! Namastê!

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