Bruxa sim e com orgulho!!!

Exato, depois de passar pelo que chamamos de “noite escura da alma” e compreender com profundidade tudo o que se passou em meu interior, renasci e agora autoiniciada nas Tradições da Velha Arte! Um novo ciclo inicia, mas ainda tem muito aprendizado pela frente, pois a iniciação, na verdade, nunca acaba; o que acabam são as etapas, os ciclos, mas tudo faz parte de uma roda, a Roda da Vida.

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Infelizmente, a palavra bruxa foi totalmente deturpada pela sociedade, desde a Era das Fogueiras, e ainda hoje ela é sinônimo de algo ruim, macabro, feio; virou até ofensa, para chamar de bruxa alguém que é má, que é feia, etc. Triste! Como apagar do inconsciente coletivo essa mácula?

Precisamos ensinar de novo o que é de fato uma Bruxa. E vai levar tempo, talvez até devêssemos esquecer essa palavra e criar outra… E se for analisar as outras palavras que servem de sinônimo, tão pouco ajuda: feiticeira (só faz feitiços), maga (não soa bem), curandeira (resume a quem cura apenas), vidente (altamente zoada pela mídia), xamã (as pessoas associam com algo indígena apenas). Difícil não é?

Bruxa é mais interessante porque engloba tudo o que a pessoa é e faz: feitiços, curas, rezas, clarividência, mediunidade, proteção, conhecimento, autoconhecimento, magia, espiritualidade, empoderamento… Para ser bruxa precisa gostar muito de ler e estudar, pois está continuamente pesquisando e aprendendo; precisa se conectar com a Mãe Natureza e compreender seus ciclos; precisa aprender ou desenvolver técnicas de cura, de leitura de oráculos, de vidência; precisa conhecer feitiços já existentes e criar os seus; precisar conhecer preces já existentes e criar as suas; precisam conhecer cantos já existentes e criar os seus; precisar conhecer ervas e essências; precisa conhecer a fundo os ciclos lunares; precisa entender de astrologia, numerologia, mitologia, sonhos, um pouco de psicologia, alquimia, e um pouco de cada religião, para compreender as pessoas que a procuram pedindo conselhos e ajuda. Precisa entender tudo de espiritualidade e energia.

Pois é, nós bruxas não temos preconceito com a religião alheia, desde que não nos ataquem! Aliás, não entendo porque as religiões cristãs ainda atacam tanto a Antiga Religião! Às vezes fico pensando na questão da feitiçaria que eles tanto temem e odeiam, mas se você for analisar, eles praticam feitiçaria o tempo todo (vou ser queimada por causa desse comentário!), pois veja bem como não estou blasfemando:

  • O que é uma novena, senão uma simpatia (feitiço) para alcançar algo?
  • A transmutação do Corpo e Sangue em Hóstia Sagrada não é uma magia?
  • A prática do exorcismo (tirar um espírito maligno do corpo de alguém) não é pura feitiçaria?
  • E o que falar da Água Benta? É uma água que se oferece a um determinado espírito para que seja abençoada, isso é magia!
  • E os Livros Sagrados de muitas religiões como foram “recebidos”? Foram intuídos, recebidos por psicografia, por clarividência, por clariaudiência… F.E.I.T.I.Ç.A.R.I.A!

Eu poderia ficar aqui cintando uma centena de outros exemplos, mas não quero me estender mais. Só gostaria de entender por que: novena pode, simpatia não; exorcismo pode, banho de ervas para banimento não; água benta pode, água solarizada não!

Pura semântica!

No meu primeiro dia como oficialmente Bruxa, no Dia das Bruxas, só desejo que sejamos respeitadas(os), que a Antiga Religião seja respeitada, que as pessoas passem a compreender antes de criticar, afinal maldade se faz em qualquer religião ou seita. Bruxas estão à disposição da Deusa e do Deus, da Natureza e da Cura, para auxiliar quem as procura. Tem quem faça maldade, claro que tem, mas NÃO É A REGRA. Se fôssemos generalizar, diríamos que todos os padres são pedófilos, que todos os pastores são corruptos, que todos os islâmicos são terroristas e assim por diante. Mas não é assim e no fundo a gente sabe, mas a sociedade gosta de dar mais ênfase ao que é ruim do que ao que é bom, por isso a palavra bruxa está banalizada de forma tão negativa.

Seja mais consciente em seus julgamentos, porque o mundo gira, os ciclos mudam e amanhã ou depois, pode ser você o(a) julgado(a)!

Que a Magia possa ser feita em qualquer lugar, com amor e gratidão, pelo bem de todos os envolvidos! Blessed be!

FELIZ DIA DAS BRUXAS!

Essa senhora chamada Árvore

Desde pequena, sempre fui fascinada e apaixonada pelas árvores. Diversas vezes me peguei admirando-as, abraçando-as e conversando mentalmente com elas.

Árvores são seres imponentes, poderosos e ao mesmo tempo suaves e doces. Sua presença nunca é sutil, independentemente do tamanho. Para mim, é como se estivesse diante de uma anciã muito sábia, calejada, que tudo vê, ouve e percebe, mesmo quando parece estar distraída; sabe sobre tudo, pois já viu e viveu tudo, mas está sempre silenciosa… espalha seu conhecimento apenas para quem realmente merece e está disposto (ou precisa) a ouvir.

Passei toda minha infância visitando a casa de meus avós maternos, que ficava embaixo de enormes araucárias e tinha veneração por aqueles pinheiros, apesar de ter muito medo também, de que eles caíssem sobre a casa nos dias de tempestade. Quando chovia e ventava forte, eu permanecia na janela, olhando para fora e conversando mentalmente com os pinheiros, pedindo para que não caíssem sobre nós. Via eles balançando vorazmente, de um lado a outro, parecia uma dança enlouquecida, ouvia seus estralos, via as grinfas e as pinhas caindo como bombas no chão, me arrepiava toda, quase chorava de medo, e quando a tempestade passava e tudo ficava calmo, como se nada tivesse acontecido, eu agradecia; ia lá fora ajudar meu avô a juntar as grinfas em montes, para limpar o lugar, recolher as pinhas e os pinhões quando era época, para assá-los na chapa do fogão a lenha ou cozinhá-lo (e de vez em quando, com muita sorte, se meu avô estivesse de bom humor, assávamos em uma sapecada). Caminhava entre os pinheiros feliz, porque nenhum deles tinha caído!

Hoje, onde eu moro, atrás de minha casa tem um conjunto de eucaliptos, muito altos e meu computador – onde permaneço boa parte do tempo por trabalhar muito tempo online – fica na janela que tem vista para eles. Me pego muitas e muitas vezes olhando-os, em silêncio, apenas contemplando seu bailado, ora suave, ora enérgico. Até hoje, ainda gosto de permanecer em janelas quando há tempestade, como se fazendo isso consigo “evitar” que árvores caiam e raios atinjam a casa. Uma infantilidade, eu sei, mas me sinto melhor assim do que não olhar para a tempestade. Como se estivesse encarando o medo de frente.

Escrevi este post, poque estou terminando o livro “A travessia das feiticeiras” e cheguei no seguinte parágrafo, que me tocou muito:

O sentimento que eu passara a sentir pelas árvores estava além das palavras. Eu tinha certeza de minha capacidade de assimilar seu humor, saber sua idade, seus insights e o que sentiam. Podia comunicar-me diretamente com uma árvore, através de uma sensação proveniente do âmago de meu corpo.
Freqüentemente a comunicação tinha início com um transbordamento de puro afeto, quase tão intenso quanto o que sentira por Manfred, afeto este que brotava de mim sempre de maneira inesperada e espontânea. Então, eu podia sentir as raízes da árvore entrando na terra. Eu sabia se elas precisavam de água e quais raízes se estendiam na direção da fonte de água subterrânea. Podia sentir como era viver buscando a luz, aguardando-a, desejando-a, ou como era sentir o calor, o frio ou ser devastada pelos raios e tempestades. Aprendi o que significava nunca ser capaz de deslocar-se de seu ponto de destino, o que significava ser silenciosa, sentir através da casca, das raízes e absorver a luz através das folhas.
Eu sabia, sem sombra de dúvida, que as árvores sentem dor; e sabia também que, uma vez iniciada a comunicação, as árvores se derramam, afetuosas.

Feliz sou porque tenho tantas árvores sempre perto de mim! Fico imaginando como deve ser a vida de pessoas que moram em lugares que quase não tem árvores, como deve ser triste! Gratidão Mãe Terra pelas sábias Árvores!

Abaixo fotos das árvores aqui de casa, em vários momentos: sol, chuva, neve…

Blessed be! Namastê!

Citação:
A Travessia das Feiticeiras; Taisha Abelar, com prefássio de Carlos Castañeda; Ed. Nova Era; 1992