Certo, vamos falar sobre amor próprio, e autoestima, e empoderamento…

Já faz tempo que pensava em escrever sobre isso, pois nos meus atendimentos percebo muitos problemas relacionados a amor próprio e autoestima (a falta deles) e então criei um pacote de terapias só para isso. Mas esse é um assunto muito amplo, pois cada um tem uma ideia do que seja autoestima, são diferentes pontos de vista conforme a idade, a classe social, o gênero, a educação… E o pior de tudo é que hoje, com o advento e propagação das redes sociais, amor próprio virou outra coisa e muita gente (principalmente adolescentes e crianças) estão achando que amor próprio é essa coisa. Mas não é, na verdade, é ao contrário!

Por que resolvi falar sobre isso agora? Dia desses “rolou” uma espécie de “corrente” (não achei palavra melhor) sobre amor próprio em uma rede social, onde tínhamos que postar três fotos nossas provando que temos amor próprio e marcar outras mulheres para fazerem o mesmo. Eu, inclusive, fui indicada por uma pessoa muito querida, mas não o fiz, porque sinceramente, achei aquilo tudo uma idiotice! Mas Tai, você vive falando em empoderamento feminino, em autoestima, que as pessoas precisam se amar, faz palestra para mulheres e achou essa prática uma idiotice, como assim?

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Explico: minha gente querida, todos os dias, ou quase todos, postamos fotos nossas em redes sociais; fizemos isso o tempo todo e isso não significa que temos amor próprio, isso tem outro nome, se chama exibicionismo. E lembrando que nem todo exibido tem autoestima, na maioria das vezes é justamente a falta dela que o faz ser exibido. Exibir-se significa precisar da atenção, do olhar do outro e quando você precisa da atenção do outro é porque você está dando mais importância para a opinião alheia do que a sua própria, e isso não é amor próprio! Amar-se meus queridos, não é ficar se achando bonita, se achando linda, se achando gostosa, ou a mais inteligente, a mais rica, a mais capaz, a mais diplomada, a mais heroína.. amar-se não é ficar detalhando todas as nossas qualidades o tempo todo. Amar-se é ter apreço por si mesma, independentemente de ser linda ou não, de usar maquiagem ou não, de ser dona de casa ou empresária, de ser casada à cinquenta anos ou de ser solteira aos quarenta. Amar-se é conhecer-se profundamente a ponto de saber quais são os defeitos que precisam ser mudados, usando as qualidades possuídas, para assim evoluir e se tornar melhor amanhã do que somos hoje. Amar-se é não se privar do que gostamos só porque os outros não gostam. Amar-se é não ter crenças limitantes a respeito das próprias escolhas e das escolhas alheias. Amar-se é ser livre de rótulos. Amar-se é não se deixar aniquilar pela opressão do mundo da beleza, da mídia, do show business. Amar-se é não aceitar a submissão em um relacionamento tóxico e doentio. Amar-se é não se deixar ser usada por outra pessoa, por medo de perdê-la e ficar sozinha. Amar-se é não ter medo de ficar sozinha, pois quando se ama, a própria companhia é uma coisa boa e não uma solidão.

Hoje vi outra “brincadeira” numa rede social onde postaram: “Qual a inicial do nome do seu amor verdadeiro”? Fiquei com vontade de comentar assim: Querida, a inicial deve ser a do seu próprio nome, pois o amor mais verdadeiro que existe deve ser o seu próprio. Mas pensei bem e resolvi não comentar, vim exorcizar meus demônios julgadores aqui (kkkkkk).

Certo, agora um outro assunto que está proliferando mundo a fora, principalmente na internet e que também está sendo distorcido porque as pessoas estão confundindo as coisas. E esse assunto tem a ver com o anterior: empoderamento feminino. Existe um certo preconceito com a palavra feminismo, então criou-se o termo empoderamento feminino (ou sagrado feminino como chamamos na espiritualidade) para que as pessoas “aceitem” melhor. O fato é que a maioria não sabe o que é feminismo, por isso o preconceito. E estão distorcendo esses outros dois termos também, e está virando uma grande confusão. Empoderar uma mulher significa trazer de volta sua autoestima, seu amor próprio, roubado a anos pela opressão, pelo machismo, pelas religiões, pela publicidade do mercado de moda e beleza que inseriu um padrão inalcançável pela maioria das pobres mortais, entre outras coisas. Veja bem, isso não significa acabar com os homens, ou fazê-los se tornar submissos a nós, ou tirá-los de circulação! Isso é a bobagem mais sem pé nem cabeça que podem divulgar por aí. Feminismo hoje é querer que a mulher tenha os mesmos direitos, as mesmas escolhas e as mesmas chances que os homens, simples assim! É ter a opção de querer se mãe ou não, de querer usar maquiagem ou não, de querer casar ou não, de querer ser mecânica ou esteticista e receber salários compatíveis com a função. Os homens nunca perceberam, mas a sociedade inteira sempre impôs o que uma mulher pode ou não fazer, mesmo de forma “natural”. A culpa do machismo imperar não é só dos homens, a culpa da existência do machismo é de 50% para homens e 50% para mulheres, me desculpem, mas é sim!!! E hoje aquelas que despertaram para uma nova realidade estão tendo o papel de mostrar isso às outras e então emponderá-las. A mudança minha gente, vai favorecer mulheres e homens, pois vai nascer uma nova perspectiva, um novo tipo de relacionamento, baseado em amor apenas, não em fantasias, dependências, obrigações. Só pode amar de verdade quem se ama antes.

Essa mudança deve iniciar muito cedo, pois a redes sociais, com esse exibicionismo todo, com essa exposição toda, está criando novas crenças limitantes. E trocar uma crença limitante por outra não é cura, é trocar uma prisão por outra! Se você decide não usar mais maquiagem para mostrar que está empoderada, mas fica julgando as que usam maquiagem, você não se empoderou. Você trocou uma limitação por outra e continua presa a rótulos. Por exemplo, esses tempos li histórias parecidas, em revistas famosas, sobre meninas que receberam bullying de meninos que gostavam, uma porque foi chamada de feia e outra porque foi chamada de gorda, ao invés de se suicidar como muitas estão fazendo, elas “deram a volta por cima”, uma se tornou uma menina linda, a outra emagreceu não quantos quilos, e a moral dessas histórias era que elas haviam “se vingado” dos possíveis namoradinhos. Elas lutaram e venceram o bullying, usando-o para se tornar melhores!!!!!!!!!!!!! Hã?? Traduzindo: eu usei o seu preconceito para provar que você estava certo, eu era feia/gorda, mas agora não sou mais, pois eu venci, eu sou melhor. Oi????

Desculpa, mas não vi nenhum empoderamento aí. A primeira etapa para o empoderamento é o retorno da autoestima e amar-se, como eu disse, não é só quando sou linda e magra. Tenho que me amar independentemente do meu peso, do meu tipo de cabelo, das minhas sardas, da minha celulite, do formato do meu nariz, do tamanho do meu peito… Se por acaso eu quiser mudar algo em mim, deve ser porque EU QUIZ. Se eu preciso emagrecer porque o outro riu de mim, então continuo sem amor próprio.

Acredito que amar-se é rir dos próprios defeitos e achar que meu dedão torto é meu charme. Se um dia resolver mudá-lo com cirurgia é pura e simplesmente porque cansei de ver ele torto, não porque um homem chegou pra mim e disse: Querida, amo você, mas esse seu dedão, sei não; muda ele por favor! Prefiro olhar pra ele e dizer: Ok, então vou achar um homem que tenha um dedão torto como o meu e assim seremos felizes de verdade com nossos dedões! Tchau!

Querer ser melhor não é errado, claro que não. Mas essa escolha deve partir de nós, principalmente quando estamos falando de estética. Ser uma pessoa mentirosa, mau caráter, corrupta, manipuladora, assassina, isso sim são defeitos que devem ser incentivados pela sociedade a serem mudados, pois afeta ao próximo diretamente, causando mau a muitos. Mas aquilo que diz respeito a cada um de nós, não tem que ser imposto por ninguém. E isso sempre aconteceu com as mulheres, por isso estamos querendo que mude.

Hoje, assistindo a um programa na televisão, onde falaram rapidamente sobre feminismo e machismo, sobre romantismo mais especificamente, inclusive com a presença do grande Mário Sérgio Cortella, entrevistaram várias mulheres na rua e uma delas falou o seguinte (quase surtei!): Tem que ser um pouco romântica, porque se você é segura demais, se você é autossuficiente demais acaba espantando os homens!

Meu amor, se você é segura e autossuficiente demais e espanta homens, ótimo. Você está espantando homens que não são seguros o suficiente para estar com você!!! Homens de verdade, com sensibilidade, inteligência,  antenados, sabem como é a mulher de hoje, a mulher empoderada e portanto não saem correndo de medo. Muito pelo contrário, valorizam ainda mais e aceitam um relacionamento em que duas pessoas inteiras (e não mais as metades de antigamente) decidem compartilhar uma vida. Isso é romantismo!

No programa também entrevistaram homens que falaram que não sabem mais se dão flores ou não, se abrem a porta do carro ou não, se oferecem para pagar a conta ou não. Estão vendo a confusão que as pessoas estão fazendo? As mulheres empoderadas não querem o fim do romantismo, nem o fim de demonstrações de respeito e valor. Eu gosto quando um homem abre a porta do carro pra mim, acho charmoso. Também gosto de receber flores. Não me importo de dividir a conta, ou de ter que pagar, ou de ele pagar. Isso tudo não tem nada a ver com empoderamento. Existem mulheres que não gostam de flores, que não se importam se abrem a porta ou não, isso é uma questão de personalidade de cada um; piscianas vão amar você abrir a porta pra ela, escorpianas vão amar pagar o jantar para você, e leoninas vão cair de amore se receber um buquê de flores gigante na empresa em que ela trabalha. Essas questões devem ser analisadas em cada ser, você deve conhecer a mulher com quem está ficando, para saber do que ela gosta ou não! Empoderamento é dar-se o valor, apenas isso. Amar-se por inteira. É não aceitar ser submissa a ninguém, é não aceitar agressão de forma alguma, é ter liberdade de escolha, é ter um relacionamento saudável, uma sexualidade saudável, baseados em compartilhamento.

Espero ter ajudado, de alguma forma, com esse textão sobre assuntos diferentes, mas que na verdade se interligam. Convido a todos, homens e mulheres, para refletirem sobre amor próprio, autoestima, feminismo, machismo, romantismo, empoderamento. Mas refletirem de forma profunda, libertando-se de conceitos prontos, libertando-se da linguagem “interneteis” de hoje em dia, analisando passado e presente, para assim chegarem a suas próprias conclusões sobre isso e perceberem que toda mudança gera uma certa dor, toda mudança gera resistência, mas no fim percebe-se que a mudança é que faz a evolução de verdade. E principalmente, não esqueçam: todo o Universo é feito da UNIÃO de duas energias polares, chamadas Yin/Yang.

E só pra constar: sim, eu me amo, porque me conheço melhor do que ninguém; amo quem estou me tornando a cada dia, mesmo sabendo que ainda tenho muito a mudar; e não preciso provar isso para ninguém, porque simplesmente não me importo mais com o que pensam de mim; eu me importo comigo, com minhas escolhas, com minha sanidade física, mental, energética e espiritual e procuro, através do meu conhecimento, ajudar outras pessoas a se conhecerem e se amarem. Esse é o objetivo máximo do meu trabalho como terapeuta holística e meu objetivo máximo como pessoa.

Blessed be! Namastê! Aho!

 

O lado negro do despertar

Essa semana li a seguinte mensagem, em uma postagem do facebook:

Muitas pessoas pensam que ser espiritual é ser positivo, mas ser espiritual significa ser consciente. Tornar-se consciente é muito diferente de tornar-se positivo. Para tornar-se consciente nós precisamos ser autênticos. A autenticidade inclui ambos, positividade e negatividade.

(Facebook: Compromisso com o Despertar da Consciência)

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Essa leitura me fez refletir muito sobre o processo holístico do despertar para a essência, ou empoderamento, como também é chamado. Refleti muito sobre a catarse, que muitas vezes ocorre durante as terapias holísticas (florais, cristais, cromoterapia, entre outros). E também sobre o lado sombra que falam as práticas xamânicas. Esses termos soam como algo negativo e assustador, porque com a medicina tradicional, estamos acostumados ao seguinte processo: sentimos dor ou presenciamos uma mudança negativa na saúde de nosso corpo, vamos ao médico para imediatamente eliminar a dor, ou fazer sumir, mesmo que temporariamente, qualquer mudança visível de doença (problemas de pele, inchaços, feridas, etc); recebemos uma receita de algum medicamento para tomarmos imediatamente e assim damos início à um processo mais longo de tratamento, se for necessário. Agimos da mesma forma quando o problema é psicológico/emocional. Fato é que iniciamos tratamentos, tomando um antídoto antes, uma espécie de “anestésico”, para evitar qualquer dor ou “turbulência” emocional durante o processo. Salvo alguns casos em que o processo todo é dolorido e sofrido, como nos casos de câncer, onde o tratamento é tão ruim ou pior que o sofrimento da doença.

Tudo aquilo que rejeitamos, evitamos ou projetamos – sejam aspectos positivos ou negativos – tornam-se nossas sombras.

(Carl Gustav Jung)

Nas terapias holísticas e xamânicas ocorre uma diferença: a catarse precisa acontecer. Claro, não sentimos dor física, talvez algum desconforto, mas nunca dor. O que ocorre é uma pequena turbulência no emocional, onde tudo o que foi reprimido, vem à tona. Quando inicio uma anamnese na primeira consulta, entrego um texto explicando como será todo o processo e nesse texto há o seguinte campo:

Reações: Não há contraindicações, mas podem ocorrer crises de consciência, que podem durar de 3 a 4 dias e assim como surgem, desaparecem. Também pode ocorrer a catarse floral, que é uma pequena crise que sentimos ao fazer uso dos florais, que tem como objetivo realizar a limpeza interna da pessoa e a expansão da consciência.

Os clientes levam essa ficha para casa, leem e mandam mensagem perguntando o que significa “ocorrer crises de consciência e catarse floral”, com um certo tom de apavoramento na pergunta! Eu também passei por isso, não lembro se cheguei a perguntar para minha terapeuta, mas com certeza fiquei pensando no que estava escrito. Afinal, estou indo para resolver problemas e surgirão outros, como assim! Mas depois de ter passado pelo processo como paciente, hoje sei que os termos assustam mais do que o fato real.

Na verdade, não estamos acostumados a lidar com nossas frustrações, mágoas e mentiras; preferimos evitar lembrar e falar de vergonhas que passamos, humilhações sofridas, ofensas feitas e recebidas, perdas de todas as espécies. Você deve estar se perguntando: Para que reviver tudo, se já foi dolorido na época? Te respondo: Você prefere encarar suas sombras agora e resolver tudo, eliminando todos os lixos emocionais acumulados ou prefere deixar lá, escondido, muito bem trancado e sofrer problemas de saúde e até doenças graves depois? Sabemos, hoje, que a maioria das doenças são frutos de problemas emocionais enraizados e acumulados por anos e até vidas. E você não sabe qual doença e quando ela irá se manifestar.

O estresse e a desarmonia se apresentam primeiramente nos corpos energético e emocional que são sutis, depois alcança e materializa-se como doença no corpo físico.

(Eveli Pitá Yuerá no livro Práticas Bioxamânicas: despertar das capacidades interiores)

Vale salientar que as Terapias Holísticas e Espirituais não substituem a Medicina Tradicional; elas são terapias complementares, que se juntam aos tratamentos convencionais para o bem-estar integral do ser humano. Conheço psicólogo que indicou terapia de regressão à pacientes; conheço pedagoga que utiliza homeopatia e terapia floral nos seus atendimentos; fiquei sabendo recentemente de alguns locais em que a terapia floral e o reiki foram inseridos nos postos de saúde do SUS; conheço médicos que indicaram práticas de ioga e meditação a pacientes com diagnóstico clínico de depressão. Durante a anamnese, todo terapeuta holístico deve perguntar ao paciente se ele está fazendo algum tratamento médico, se está com os exames em dia, se faz atividades físicas, se já esteve em hospital, enfim, tudo o que possa ajudar a entender o momento atual da pessoa e caso o terapeuta sinta a necessidade, aconselha o paciente a conversar com um médico primeiramente, fazer exames de rotina. O terapeuta sempre aconselha o paciente a continuar com seu tratamento médico.

Meu sonho: ver as Terapias Holísticas sendo inseridas em todos os postos de saúde do SUS; ver a Meditação e o Ioga fazendo parte das atividade escolares, desde o pré.

Até lá, nós Terapeutas Holísticos lutamos para oferecer os benefícios que sabemos ser reais em todas as práticas ofertadas, incentivando a busca do equilíbrio do ser. Não devemos ter medo de encarar nosso lado sombra, nosso lado negativo e puxar para fora tudo o que acumulamos de ruim. Devemos ter medo das consequências de manter tudo isso trancado, pois a qualquer momento podem arrebentar as trancas e vir para fora, sem termos a capacidade de lidar com isso.

O problema não está em sofrer. O problema está em o que fazemos com o sofrimento.

Blessed be! Namastê!

Me reconheci…

Esse livro não para de me inspirar!!!

Segue mais uma passagem dele que me encantou… (estou pensando em fazer um resumão de todas as passagens que estou grifando durante a leitura kkkkk)

Blessed be! Namastê!