Somo deusas…

Independentemente do significado da data, hoje é dia de enfatizar nossa beleza, nossa luta, nossa força, nosso Sagrado.

E o que desejo para esse dia é que toda Mulher busque a Cura:
– sua cura
– cura dos que a rodeiam
– cura das outras mulheres
– cura dos homens
– cura da Terra 

Nós somos as curandeiras por essência. Nós vivemos em ciclos, nós damos a vida, nós temos a sensibilidade de Yin, nós nascemos/crescemos/morremos todos os meses, nós entendemos da energia do amor e da sedução. Somos nós que estamos chamando a atenção para as mudanças necessárias e para a cura da Terra. Mas nós precisamos nos conhecer, precisamos nos amar e precisamos ajudar na cura de homens e crianças, para que as mudanças de fato ocorram. 

8fa1abacad23d0740ac2553725d3fe48deusa dana

Vamos hoje nos Empoderar, vamos hoje nos Curar, vamos hoje dar ênfase às conquistas, às mudanças, à magia, ao Sagrado.Tudo aquilo em que colocamos nossa energia, aumenta, então vamos tirar o foco da doença, da violência, das decepções, e vamos focar na cura disso tudo. 

Eu desejo que você mulher se ame, hoje, amanhã e sempre. Desejo que você desperte a Deusa, a Guerreira, a Sábia que existem aí dentro, esperando ávidas para se mostrarem. E que toda a tua energia se espalhe por todos os lados, na tua casa, no teu trabalho, na tua rua, no tem país, no mundo todo. É assim que vamos mudar o que ainda precisa ser mudado.

FELIZ DIA DA MULHER SAGRADA QUE HABITA EM NÓS!

A deusa em mim saúda a deusa em você! 

Blessed Be! Namastê!

Certo, vamos falar sobre amor próprio, e autoestima, e empoderamento…

Já faz tempo que pensava em escrever sobre isso, pois nos meus atendimentos percebo muitos problemas relacionados a amor próprio e autoestima (a falta deles) e então criei um pacote de terapias só para isso. Mas esse é um assunto muito amplo, pois cada um tem uma ideia do que seja autoestima, são diferentes pontos de vista conforme a idade, a classe social, o gênero, a educação… E o pior de tudo é que hoje, com o advento e propagação das redes sociais, amor próprio virou outra coisa e muita gente (principalmente adolescentes e crianças) estão achando que amor próprio é essa coisa. Mas não é, na verdade, é ao contrário!

Por que resolvi falar sobre isso agora? Dia desses “rolou” uma espécie de “corrente” (não achei palavra melhor) sobre amor próprio em uma rede social, onde tínhamos que postar três fotos nossas provando que temos amor próprio e marcar outras mulheres para fazerem o mesmo. Eu, inclusive, fui indicada por uma pessoa muito querida, mas não o fiz, porque sinceramente, achei aquilo tudo uma idiotice! Mas Tai, você vive falando em empoderamento feminino, em autoestima, que as pessoas precisam se amar, faz palestra para mulheres e achou essa prática uma idiotice, como assim?

amorproprio4

Explico: minha gente querida, todos os dias, ou quase todos, postamos fotos nossas em redes sociais; fizemos isso o tempo todo e isso não significa que temos amor próprio, isso tem outro nome, se chama exibicionismo. E lembrando que nem todo exibido tem autoestima, na maioria das vezes é justamente a falta dela que o faz ser exibido. Exibir-se significa precisar da atenção, do olhar do outro e quando você precisa da atenção do outro é porque você está dando mais importância para a opinião alheia do que a sua própria, e isso não é amor próprio! Amar-se meus queridos, não é ficar se achando bonita, se achando linda, se achando gostosa, ou a mais inteligente, a mais rica, a mais capaz, a mais diplomada, a mais heroína.. amar-se não é ficar detalhando todas as nossas qualidades o tempo todo. Amar-se é ter apreço por si mesma, independentemente de ser linda ou não, de usar maquiagem ou não, de ser dona de casa ou empresária, de ser casada à cinquenta anos ou de ser solteira aos quarenta. Amar-se é conhecer-se profundamente a ponto de saber quais são os defeitos que precisam ser mudados, usando as qualidades possuídas, para assim evoluir e se tornar melhor amanhã do que somos hoje. Amar-se é não se privar do que gostamos só porque os outros não gostam. Amar-se é não ter crenças limitantes a respeito das próprias escolhas e das escolhas alheias. Amar-se é ser livre de rótulos. Amar-se é não se deixar aniquilar pela opressão do mundo da beleza, da mídia, do show business. Amar-se é não aceitar a submissão em um relacionamento tóxico e doentio. Amar-se é não se deixar ser usada por outra pessoa, por medo de perdê-la e ficar sozinha. Amar-se é não ter medo de ficar sozinha, pois quando se ama, a própria companhia é uma coisa boa e não uma solidão.

Hoje vi outra “brincadeira” numa rede social onde postaram: “Qual a inicial do nome do seu amor verdadeiro”? Fiquei com vontade de comentar assim: Querida, a inicial deve ser a do seu próprio nome, pois o amor mais verdadeiro que existe deve ser o seu próprio. Mas pensei bem e resolvi não comentar, vim exorcizar meus demônios julgadores aqui (kkkkkk).

Certo, agora um outro assunto que está proliferando mundo a fora, principalmente na internet e que também está sendo distorcido porque as pessoas estão confundindo as coisas. E esse assunto tem a ver com o anterior: empoderamento feminino. Existe um certo preconceito com a palavra feminismo, então criou-se o termo empoderamento feminino (ou sagrado feminino como chamamos na espiritualidade) para que as pessoas “aceitem” melhor. O fato é que a maioria não sabe o que é feminismo, por isso o preconceito. E estão distorcendo esses outros dois termos também, e está virando uma grande confusão. Empoderar uma mulher significa trazer de volta sua autoestima, seu amor próprio, roubado a anos pela opressão, pelo machismo, pelas religiões, pela publicidade do mercado de moda e beleza que inseriu um padrão inalcançável pela maioria das pobres mortais, entre outras coisas. Veja bem, isso não significa acabar com os homens, ou fazê-los se tornar submissos a nós, ou tirá-los de circulação! Isso é a bobagem mais sem pé nem cabeça que podem divulgar por aí. Feminismo hoje é querer que a mulher tenha os mesmos direitos, as mesmas escolhas e as mesmas chances que os homens, simples assim! É ter a opção de querer se mãe ou não, de querer usar maquiagem ou não, de querer casar ou não, de querer ser mecânica ou esteticista e receber salários compatíveis com a função. Os homens nunca perceberam, mas a sociedade inteira sempre impôs o que uma mulher pode ou não fazer, mesmo de forma “natural”. A culpa do machismo imperar não é só dos homens, a culpa da existência do machismo é de 50% para homens e 50% para mulheres, me desculpem, mas é sim!!! E hoje aquelas que despertaram para uma nova realidade estão tendo o papel de mostrar isso às outras e então emponderá-las. A mudança minha gente, vai favorecer mulheres e homens, pois vai nascer uma nova perspectiva, um novo tipo de relacionamento, baseado em amor apenas, não em fantasias, dependências, obrigações. Só pode amar de verdade quem se ama antes.

Essa mudança deve iniciar muito cedo, pois a redes sociais, com esse exibicionismo todo, com essa exposição toda, está criando novas crenças limitantes. E trocar uma crença limitante por outra não é cura, é trocar uma prisão por outra! Se você decide não usar mais maquiagem para mostrar que está empoderada, mas fica julgando as que usam maquiagem, você não se empoderou. Você trocou uma limitação por outra e continua presa a rótulos. Por exemplo, esses tempos li histórias parecidas, em revistas famosas, sobre meninas que receberam bullying de meninos que gostavam, uma porque foi chamada de feia e outra porque foi chamada de gorda, ao invés de se suicidar como muitas estão fazendo, elas “deram a volta por cima”, uma se tornou uma menina linda, a outra emagreceu não quantos quilos, e a moral dessas histórias era que elas haviam “se vingado” dos possíveis namoradinhos. Elas lutaram e venceram o bullying, usando-o para se tornar melhores!!!!!!!!!!!!! Hã?? Traduzindo: eu usei o seu preconceito para provar que você estava certo, eu era feia/gorda, mas agora não sou mais, pois eu venci, eu sou melhor. Oi????

Desculpa, mas não vi nenhum empoderamento aí. A primeira etapa para o empoderamento é o retorno da autoestima e amar-se, como eu disse, não é só quando sou linda e magra. Tenho que me amar independentemente do meu peso, do meu tipo de cabelo, das minhas sardas, da minha celulite, do formato do meu nariz, do tamanho do meu peito… Se por acaso eu quiser mudar algo em mim, deve ser porque EU QUIZ. Se eu preciso emagrecer porque o outro riu de mim, então continuo sem amor próprio.

Acredito que amar-se é rir dos próprios defeitos e achar que meu dedão torto é meu charme. Se um dia resolver mudá-lo com cirurgia é pura e simplesmente porque cansei de ver ele torto, não porque um homem chegou pra mim e disse: Querida, amo você, mas esse seu dedão, sei não; muda ele por favor! Prefiro olhar pra ele e dizer: Ok, então vou achar um homem que tenha um dedão torto como o meu e assim seremos felizes de verdade com nossos dedões! Tchau!

Querer ser melhor não é errado, claro que não. Mas essa escolha deve partir de nós, principalmente quando estamos falando de estética. Ser uma pessoa mentirosa, mau caráter, corrupta, manipuladora, assassina, isso sim são defeitos que devem ser incentivados pela sociedade a serem mudados, pois afeta ao próximo diretamente, causando mau a muitos. Mas aquilo que diz respeito a cada um de nós, não tem que ser imposto por ninguém. E isso sempre aconteceu com as mulheres, por isso estamos querendo que mude.

Hoje, assistindo a um programa na televisão, onde falaram rapidamente sobre feminismo e machismo, sobre romantismo mais especificamente, inclusive com a presença do grande Mário Sérgio Cortella, entrevistaram várias mulheres na rua e uma delas falou o seguinte (quase surtei!): Tem que ser um pouco romântica, porque se você é segura demais, se você é autossuficiente demais acaba espantando os homens!

Meu amor, se você é segura e autossuficiente demais e espanta homens, ótimo. Você está espantando homens que não são seguros o suficiente para estar com você!!! Homens de verdade, com sensibilidade, inteligência,  antenados, sabem como é a mulher de hoje, a mulher empoderada e portanto não saem correndo de medo. Muito pelo contrário, valorizam ainda mais e aceitam um relacionamento em que duas pessoas inteiras (e não mais as metades de antigamente) decidem compartilhar uma vida. Isso é romantismo!

No programa também entrevistaram homens que falaram que não sabem mais se dão flores ou não, se abrem a porta do carro ou não, se oferecem para pagar a conta ou não. Estão vendo a confusão que as pessoas estão fazendo? As mulheres empoderadas não querem o fim do romantismo, nem o fim de demonstrações de respeito e valor. Eu gosto quando um homem abre a porta do carro pra mim, acho charmoso. Também gosto de receber flores. Não me importo de dividir a conta, ou de ter que pagar, ou de ele pagar. Isso tudo não tem nada a ver com empoderamento. Existem mulheres que não gostam de flores, que não se importam se abrem a porta ou não, isso é uma questão de personalidade de cada um; piscianas vão amar você abrir a porta pra ela, escorpianas vão amar pagar o jantar para você, e leoninas vão cair de amore se receber um buquê de flores gigante na empresa em que ela trabalha. Essas questões devem ser analisadas em cada ser, você deve conhecer a mulher com quem está ficando, para saber do que ela gosta ou não! Empoderamento é dar-se o valor, apenas isso. Amar-se por inteira. É não aceitar ser submissa a ninguém, é não aceitar agressão de forma alguma, é ter liberdade de escolha, é ter um relacionamento saudável, uma sexualidade saudável, baseados em compartilhamento.

Espero ter ajudado, de alguma forma, com esse textão sobre assuntos diferentes, mas que na verdade se interligam. Convido a todos, homens e mulheres, para refletirem sobre amor próprio, autoestima, feminismo, machismo, romantismo, empoderamento. Mas refletirem de forma profunda, libertando-se de conceitos prontos, libertando-se da linguagem “interneteis” de hoje em dia, analisando passado e presente, para assim chegarem a suas próprias conclusões sobre isso e perceberem que toda mudança gera uma certa dor, toda mudança gera resistência, mas no fim percebe-se que a mudança é que faz a evolução de verdade. E principalmente, não esqueçam: todo o Universo é feito da UNIÃO de duas energias polares, chamadas Yin/Yang.

E só pra constar: sim, eu me amo, porque me conheço melhor do que ninguém; amo quem estou me tornando a cada dia, mesmo sabendo que ainda tenho muito a mudar; e não preciso provar isso para ninguém, porque simplesmente não me importo mais com o que pensam de mim; eu me importo comigo, com minhas escolhas, com minha sanidade física, mental, energética e espiritual e procuro, através do meu conhecimento, ajudar outras pessoas a se conhecerem e se amarem. Esse é o objetivo máximo do meu trabalho como terapeuta holística e meu objetivo máximo como pessoa.

Blessed be! Namastê! Aho!

 

Diário Vermelho – só para mulheres

Este trabalho foi idealizado, criado e produzido por mim no final de ano passado. Baseado em minhas experiências com diários de ciclos, recolhi informações pertinentes ao universo feminino para criar o Diário Vermelho, que é um diário de ciclos. Nele você encontra tudo o que precisa para monitorar-se, e de tempos em tempos, poderá fazer um balanço de suas anotações – humor, emoções, energia, mudanças – percebendo coisas incríveis a seu respeito… é realmente fascinante quando temos em mãos uma ferramenta como essa, que nos proporciona um autoconhecimento completo. No final do ano, ao ler seu diário anual, você tem a impressão de estar lendo uma pequena autobiografia e começa a perceber coisas que não notava antes.
 
Para saber mais sobre ele e como adquirir, clique na imagem, uma apresentação bem explicativa iniciará:
capa
Blessed be! Namastê!

Eu celebro

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as minhas ancestrais

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres da minha família

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres que existem em mim

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres que conheci

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres que eu conheço

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres que eu vou conhecer

OM MANI PADME HUM

Eu celebro todas as mulheres que eu não conheço

OM MANI PADME HUM

Eu celebro a mulher que Eu Sou

OM MANI PADME HUM

1391942_520969081329755_1622033934_n

PARABÉNS A TODAS AS MULHERES HOJE E SEMPRE!

BLESSED BE!

Por que o tema da redação do ENEM2015 está gerando tanta polêmica?

Passei a manhã me fazendo essa pergunta… não li respostas polêmicas de ninguém. Na verdade não li muita coisa sobre o fato, nem vi memes e bobagens do tipo. Mas refleti muito e decide dar minha visão sobre o assunto “violência contra a mulher“.

Featured image

Falar sobre violência contra a humanidade é considerado válido… falar sobre violência contra o idoso é considerado válido… falar sobre violência contra a criança é considerado válido… falar sobre violência contra os animais é considerado válido… falar sobre violência contra a mulher é considerado feminismo! Por quê?

Não sou feminista, mas sou mulher e sei o que sinto. Violência contra a mulher e estupro existem desde que mundo é mundo, e o pior é que têm pessoas que quando ouvem isso ainda falam: sempre foi assim e sempre vai ser. Como se isso fosse “natural”. Juro que não entendo!

Todas nós mulheres temos, no fundo do nosso íntimo, um medo de ser violentada, de alguma forma. Mesmo que não ficamos falando sobre isso o tempo todo, esse medo existe, porque ouvimos histórias e relatos sobre isso desde muito pequenas. O homem só sente medo de ser estuprado em duas situações: quando vai preso, ou quando acorda e percebe que foi dopado em alguma festinha e fica pensando: Meu Deus, será que fizeram “alguma coisa” comigo! Nós temos medo o tempo todo. Eu duvido que algum homem, ao começar a conversar online com uma estranha pense: e se for uma estupradora? Eu duvido que algum homem pense, ao conhecer uma mulher, que talvez ela possa ser violenta, tarada, psicopata, pedófila, etc. Nós pensamos. Podemos não verbalizar isso e até pode ser que nem pensamos conscientemente dessa forma, mas lá no fundo do nosso âmago, no inconsciente, a gente sente uma pontadinha. Talvez as adolescentes não tenham esse filtro quando começam a bater-papo com um desconhecido, mas as mães delas têm (e as avós, tias, irmãs mais velhas, etc).

Quando somos expostas a um possível assalto ou sequestro, nosso medo é sempre maior, porque sempre pensamos que pode acontecer “algo mais”. Morar sozinha gera medo. Viajar sozinha gera medo. Dirigir a noite sozinha gera medo. Correr ou caminhar a noite, mesmo perto de casa, sozinha, nem pensar! Caminhar num parque ou praia sozinha, quando este se encontra deserto, gera muito medo. E assim por diante. Quando conhecemos um homem e começamos a nos relacionar com ele e de repente ele surta com alguma coisa (seja no trânsito, com o chefe, com o vizinho), sempre passa pela nossa cabeça: Puxa, será que ele é violento? Será que ele pode ser violento comigo algum dia? Acho que homens não sentem essas “neuras”, pelo menos não com tanta intensidade.

Aí você leu isso tudo e pensou: é muita neurose. Pois aqui vão alguns números:

Entre 1980 e 2010 foram assassinadas mais de 92 mil mulheres no Brasil, 43,7 mil somente na última década. Segundo o Mapa da Violência 2012 divulgado pelo Instituto Sangari, o número de mortes nesse período passou de 1.353 para 4.465, que representa um aumento de 230%. Já o Mapa da Violência 2013: Homicídios e Juventude no Brasil revela que, de 2001 a 2011, o índice de homicídios de mulheres aumentou 17,2%, com a morte de mais de 48 mil brasileiras nesse período. Só em 2011 mais de 4,5 mil mulheres foram assassinadas no país.

(…)

O crescimento efetivo acontece até o ano de 1996, período que as taxas de homicídio feminino duplicam, passando de 2,3 para 4,6 homicídios para cada 100 mil mulheres. A partir desse ano, e até 2006, as taxas permanecem estabilizadas, com tendência de queda, em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. No primeiro ano de vigência efetiva da lei Maria da Penha, 2007, as taxas experimentam um leve decréscimo, voltando imediatamente a crescer de forma rápida até o ano 2010, último dado atualmente disponível, igualando o máximo patamar já observado no país: o de 1996.

(…)

Em 2014, do total de 52.957 denúncias de violência contra a mulher, 27.369 corresponderam a denúncias de violência física (51,68%), 16.846 de violência psicológica (31,81%), 5.126 de violência moral (9,68%), 1.028 de violência patrimonial (1,94%), 1.517 de violência sexual (2,86%), 931 de cárcere privado (1,76%) e 140 envolvendo tráfico (0,26%).

Esses números não são números exagerados e sensacionalistas, divulgados pela imprensa. São estatísticas de órgãos competentes, envolvidos no assunto. Mas pode ser que esses números sejam ainda maiores, porque nem todas as mulheres buscam ajuda, nem todas “divulgam” o que ocorreu, principalmente com relação ao estupro, pois muitas mulheres sentem vergonha de ter sido estuprada, algumas famílias sentem vergonha de ter um caso desses em seu lar e preferem que ninguém fique sabendo! É um absurdo, mas é verídico!

Por isso, vamos deixar as apologias, os rótulos, os pré-conceitos de lado e encarar esse assunto de frente. Todos nós. Esses números precisam ser mudados e isso é papel de todos, homens e mulheres. Nós mulheres temos que parar de achar que isso acontece porque somos fracas e indefesas, porque somos sensuais e fáceis, porque somos sedutoras e libidinosas; homem que anda sem camisa é exibido, mulher com umbigo de fora e micro short é “vagaba, tá pedindo”! Os homens precisam parar de achar que decote e saia curta são sinais para “avançar”; precisam parar de pensar que uma mulher que está dependente financeiramente dele é posse sua; parar com essa bobagem de “mulher só quer meu dinheiro… só conquistei porque estava bem vestido… só saiu comigo porque eu estava de carro” e tantas outras mediocridades que se falam por aí. RESPEITO É BOM E TODO MUNDO GOSTA! E violência é sempre violência.

Precisamos incentivar as mulheres a buscar ajuda se algo está acontecendo. Se soubermos de algo, precisamos denunciar: 180 é o número!

Para quem quer mais detalhes sobre os números citados nesse post, segue aqui o link.

Vamos todos lutar contra todos os tipos de violência e parar de tratar esse assunto como sendo normal. Se hoje não precisamos andar a pé de um lado por outro é porque alguém inventou a roda. Se não precisamos mais usar sinal de fumaça é porque alguém inventou os meios de comunicação. Ou seja, se evoluímos em tantas coisas, porque os instintos mais baixos dos ser humano (principalmente dos homens) ainda são tratados como sendo “natural” e normal? Pense nisso!

Blessed be! Namastê!

Café com fofocas, bem apimentado!

Estou terminando a leitura do livro “Mulheres que correm com lobos” de Clarissa P. Estes, e um capítulo me chamou muito a atenção. Todo o livro é pra lá de interessante, principalmente para nós mulheres, mas deveria ser lido também por homens, até para eles terem uma noção do que significa uma mulher selvagem (e para quem passa a viver com uma, esse livro é quase um manual de sobrevivência, kkkk). Mas como disse, um capítulo em especial me chamou a atenção a ponto de vir fazer um post sobre: o capítulo 11, intitulado O cio – a recuperação de uma sexualidade sagrada.

Muitos de nós já sabe (e quem ainda não sabe, vai ficar sabendo agora) que Sexualidade é muito mais que sexo. Este último é um dos fatores da Sexualidade como um todo. E este capítulo do livro, que é a interpretação de uma história intitulada Deusas Sujas, fala do prazer, da libido, do riso solto e verdadeiro, da conversa entre mulheres, do obsceno (não como algo errado e impuro, mas como algo que gera prazer, emoção agradável). Ela traz à tona vários assuntos que a um tempos atrás eram tabus, e ser debatido por mulheres então nem se fala. É comum vermos homens reunidos em bares, restaurantes ou até em casa mesmo, para conversar sobre tudo, falar “bobagens” e rir até doer a barriga, mas era incomum ver mulheres fazerem isso. Era incomum (ou achávamos que era). Hoje em dia já vemos mulheres em cafés, reunidas, dando gargalhadas das “bobagens” que falam; eu e minhas amigas fazemos isso semanalmente e quando não fazemos, sentimos muita falta. E sim, nós falamos sobre sexo, contamos piadas “sujas”, falamos de relacionamentos, de filmes, de política, de futebol, de roupas, de trabalho, de casa, de filhos e de tudo o que vier na cabeça e na vulva (sim, você leu certo, na vulva, porque assim como os homens, às vezes, pensam com a cabeça de baixo, nos pensamos com a vulva e se alguém se espantar com isso, pode se considerar arcaico ou arcaica).

Antigamente, existia uma tradição alemã chamada Kafeeklatsch que era um encontro entre senhoras para tomar café e “fofocar” e acredita-se que ali falavam de tudo. Pode ter nascido aí a tradição do famoso Chá das Cinco, mas que acabou mudando com o tempo, pois na Alemanha ele era exclusivamente feminino e frequentado por senhoras já casadas (as mais novas ainda não podiam participar justamente por causa dos “assuntos” ali tratados). Todas sabemos que o Chá de Bebê (ou de Fraldas como é chamado em alguns lugares) e o Chá de Panelas, além da entrega de presentes para a futura mãe ou para a futura esposa, são na verdade uma desculpa para mulheres se reunirem e falar sobre assuntos apimentados. Desenhar genitália na barriga da grávida é até um clichê! Mas é muito divertido, tenho certeza que todas saem mais leves desses encontros. Existe agora o tal do Chá de Lingerie, e outros ainda, todos cada vez mais “obscenos” no sentido mais bobo da palavra.

Featured image

Precisamos desses momentos, tanto nós mulheres quanto os homens. Rir é um dos melhores remédios que existem, portanto, gargalhar é uma verdadeira farmácia. E temos que entender de uma vez por todas que Sexualidade é uma coisa sagrada! Falar sobre sexo, libido, prazer, obscenidade, sexualidade, sensualidade, vulgaridade, órgãos genitais, reprodução, vida a dois, tudo isso é muito necessário e importante. Nesses momentos tiramos as máscaras e despimos esses assuntos de seus tabus, para torná-los mais naturais. E na verdade eles são naturais, mas algumas pessoas ainda não se sentem a vontade de falar abertamente, existem casais que não conversam abertamente sobre isso (o que eu acho um absurdo!) então para algumas pessoas esses momentos são como “lavar a alma”, são válvulas de escape do dia-a-dia corriqueiro. Viva o café com fofocas!!!!

Segue abaixo algumas passagens do livro que sublinhei e acho interessante compartilhar:

O cio da mulher não é um estado de excitação sexual, mas um estado de intensa consciência sensorial que inclui sua sexualidade, sem se limitar a ela. P.249

Sabemos a partir da cinesiologia e de terapias do corpo, como a Hakomi, que respirar significa conhecer nossas emoções e que, quando queremos parar de sentir, interrompemos a respiração, prendendo-a. p.250

(…) obsceno nos termos em que estamos usando a palavra, ou seja, uma espécie de encanto sexual/sensual que gera emoções agradáveis. P.250

(…) a pequena deusa Baubo nos dá a idéia interessante de que um pouco de obscenidade pode ajudar a desfazer uma depressão. E é verdade que certos tipos de riso, que provêm de todas as histórias que as mulheres contam umas para as outras, histórias que são tão apimentadas ao ponto de serem de total mau gosto… essas histórias ativam a libido. Elas acendem o fogo do interesse da mulher pela vida. A deusa do ventre e a gargalhada são o que procuramos. P.252

Há algo numa risada sexual que é diferente de uma risada sobre temas mais educados. Uma risada “sexual” parece chegar longe e fundo na psique, sacudindo todos os tipos de coisas, tocando nos nossos ossos e fazendo com que uma sensação agradável corra por nosso corpo. Ela é uma forma de prazer selvagem que está à vontade no repertório psíquico de qualquer mulher. P.254

O sagrado e o sensual/sexual vivem muito próximos um do outro na psique,

pois eles despertam nossa atenção por meio de uma sensação de assombro, não por alguma racionalização, mas pela vivência de alguma experiência física do corpo, algo que instantaneamente ou para sempre nos muda, nos sacode, nos leva ao ápice, abranda nossas rugas,-nos dá um passo de dança, um assobio, uma verdadeira explosão de vida. P.255

Esse é sem dúvida o outro benefício das piadas e dos risos compartilhados das mulheres. Tudo se torna um remédio para os tempos difíceis, um fortificante para mais tarde. É uma diversão boa, limpa, suja. Podemos imaginar o sexual e o irreverente como algo sagrado? Podemos, especialmente se atua como medicamento. P.256

Blessed be! Namastê!

Livro: Mulheres que correm com os lobos – mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem. Clarissa Pinkola Estes. Tradução de Waldéa Barcellos. Ed. Rocco, RJ, 1999

Imagem: Wikimédia